Corpo, Ritmo e Liberdade” é uma coleção que investiga o corpo feminino como território sensível da cultura brasileira, compreendendo a roupa como extensão do movimento, da música e da presença histórica.
Inspirada em manifestações musicais e rítmicas que estruturaram a identidade cultural do Brasil, a coleção propõe uma leitura contemporânea que desloca o foco da reconstituição histórica para a experiência corporal do ritmo.
O corpo não aparece como suporte neutro, mas como agente ativo, que sente, responde, improvisa e ocupa espaços que historicamente lhe foram negados.
Através de modelagens que valorizam o movimento, recortes estratégicos e uma sofisticação que dialoga com a alfaiataria e a fluidez, os looks exploram o ritmo como elemento construtivo do vestuário. Decotes, fendas e volumes funcionam como pausas, respiros e acentos visuais, criando uma cadência entre tecido e pele.
Look autoral inspirado no Maracatu Rural Coração Nazareno, com releitura contemporânea para o Baile da Vogue. O coração presente na composição do look faz referência direta ao grupo homenageado nesta criação, funcionando como símbolo identitário e elemento central da narrativa visual da peça.
A saia foi escolhida como elemento estruturante do look com o objetivo de reforçar os traços ultra femininos da composição, enfatizando a presença e a ocupação das mulheres em um espaço que historicamente foi majoritariamente masculino. A escolha da silhueta valoriza o corpo feminino e dialoga com a força estética e simbólica das mulheres que hoje protagonizam o Maracatu Coração Nazareno.
Não estamos falando de delicadeza feminina, nem de vitimização, mas sim de poder e estratégia de sobrevivência.
Recife é considerada a terceira praia mais perigosa do Brasil devido aos ataques de tubarão e também é um dos principais polos comerciais de Pernambuco.
A coleção parte do paralelo entre a vida da mulher contemporânea e o comportamento dos tubarões: a necessidade constante de movimento, o ataque certeiro para sobreviver e a ocupação de espaços hostis. Recife, cidade marcada por seus avisos de ataque de tubarão, torna-se metáfora do ambiente de risco, onde ainda é perigoso ser mulher. As peças, feitas em algodão, funcionam como armaduras contemporâneas que simbolizam resistência, estratégia e poder feminino.
Esse título evoca a atmosfera das feiras de artesanato do interior, onde o rústico e o feito à mão se encontram com a criatividade e a tradição. "Estrelas" faz alusão tanto às peças artesanais que brilham quanto às mulheres que as usam com sofisticação.
Esse look nasceu a partir de uma memória muito afetiva da minha infância. Eu sou do interior de Pernambuco, de Nazaré da Mata, e lembro com muito carinho dos dias de feira que vivia com meus pais. Ia com meu pai comprar temperos – lembro do cheiro forte e marcante das especiarias, das cores vibrantes nas bancas, da movimentação. E também ia com minha mãe comprar tecidos. Era encantador ver aqueles rolos gigantes colorindo o espaço, e desde pequena eu já me interessava pelas texturas e combinações.
Mas uma das imagens que mais me marcou era a das bancas de palha. Eu achava aquilo lindo. A trama dos chapéus, os cestos, as esteiras… tudo feito à mão, com muito cuidado. Isso ficou guardado em mim.
Para esse look, quis resgatar exatamente essa sensação. A base da criação vem dessas memórias: a blusa com tramas remete ao trançado da palha, a cartela de cores traz tons terrosos inspirados nos temperos e no chão batido da feira, e os acessórios com franjas evocam esse artesanato tradicional do interior.
É um projeto que conecta técnica e afeto. Traz referências culturais da minha vivência pessoal, mas com um acabamento contemporâneo. E é isso que me move como criadora: transformar memórias em moda, com respeito às raízes e olhar voltado para o presente.
A silhueta parte de uma base elegante e estruturada, com o blazer off-white de alfaiataria leve, que introduz contraste à organicidade do restante do look. A blusa em trama de macramê artesanal é o ponto focal da composição, remetendo diretamente ao tear manual e à geometria das redes e cestarias típicas do sertão. Essa textura se estende visualmente pela cintura até sobrepor a bermuda estruturada, evocando a fluidez das franjas de palha tão comuns em acessórios de feira.
O chapéu de palha reinterpretado em proporções amplas e esculturais conecta a vestimenta à estética do campo com elegância contemporânea, funcionando como um símbolo de proteção, trabalho e identidade. As sandálias pontiagudas com aplicação de fibras criam um diálogo inusitado entre o rústico e o requintado.
A cartela de cores transita por tons terrosos e naturais – como palha, areia e marrom – criando uma paleta quente, solar e afetiva. O look é finalizado com um clutch de couro em tom caramelo e franjas longas em palha tingida, que resgatam o movimento das tendas, dos estandartes e da dança das feiras populares.
Este conjunto traduz o espírito de uma mulher que caminha entre passado e futuro, tradição e reinvenção. Uma peça que, mais do que vestir, conta uma história.
Durante a Semana S - Circularidades, promovida pela faculdade SENAC entre os meses de abril até maio de 2025, foi desenvolvido um vestido curto com base na técnica de upcycling, reutilizando peças em jeans para criar um novo produto com design autoral, apelo sustentável e que ainda mantivesse potencial para comercialização. A proposta buscou evidenciar como práticas de logística reversa podem gerar valor estético e comercial, transformando resíduos têxteis em novas oportunidades de negócio para o varejo de moda.
O planejamento teve início com a seleção criteriosa dos materiais: Três calças jeans femininas (1 calça tamanho 44 e 2 com tamanho 34), uma bermuda jeans masculina e uma perna avulsa de calça jeans feminina, que seria utilizada na aplicação decorativa de flor circular do vestido. A escolha das peças levou em conta o estado de conservação, tonalidade do denim e variações de textura para garantir contraste e harmonia no resultado final.
O look explora recortes, sobreposições e texturas que destacam o movimento natural do material, criando um visual que celebra a longevidade da peça sem se limitar ao óbvio reciclado. Em vez de esconder a origem, o design assume as marcas do processo — variações de tonalidade, costuras aparentes e contrastes — transformando cada detalhe em parte da narrativa sustentável.